Fedayin editora

As nossas publicações são feitas pela Fedayin editora. O selo foi criado pelo Movimento pela Libertação da Palestina – Ghassan Kanafani para impulsionar obras da causa palestina no Brasil, sendo uma das nossas ferramentas de formação e informação. Os Fedayins são homens e mulheres, que na luta de libertação assumiram legitimamente a resposta armada contra o colonizador sionista e, se tornaram assim, conhecidos como guerrilheiros da libertação nacional Palestina – nosso selo os homenageia.

Selo da Fedayin editora


Livros da Fedayin editora:

Lançado em 2015, “Nosso verbo é lutar: somos todos palestinos” traz poemas de combate e resistência dedicados ao povo palestino. O livro está separado em cinco capítulos:

I. Elucidando a causa: contém um poema extenso com o objetivo de explicar os principais movimentos e a essência do fenômeno de colonização sionista, assim como, dar apontamentos de sua antítese à luta de libertação palestina.

II. Só a luta liberta: contém um conjunto de poemas curtos com o objetivo de exporem o extenso panorama da luta de libertação palestina.

III. Um povo que luta: fotos que incluem imagens da Nakba; movimentos e lideranças palestinas de resistência à colonização; lideranças anticolonialistas em apoio à causa palestina; primeira Intifada 1987; todos na luta contra a colonização; arte e luta.

IV. Cenas da luta palestina: poemas que condensam cenas da vida palestina.

V. Voz que não se cala: homenagem que contém foto, nota bibliográfica e textos de Ghassan Kanafani, que sintetizam a tomada de posição e luta da geração pós-67.


Lançado em 2018, “Amálgama de luta e beleza: somos todos palestinos” tem a apresentação da obra feita por Marcelo Buzetto (do MST), a nota ao leitor por Fabio Bosco e Soraya Misleh (do BDS), a introdução pelo jornalista José Arbex Junior e a orelha pelo prestigiado intelectual Emir Sader. O livro traz belezas poesias de combate e textos de Ghassan Kanafani. Sobre o livro:

“A Palestina, pela luta dos palestinos, tornou-se o epicentro mundial da dignidade. As fotos e as poesias que integram este livro expressam as razões de por que somos todos palestinos.”

Emir Sader – Formado em Filosofia pela Universidade de São Paulo, é cientista político e professor da FFLCH-USP. É secretário-executivo do Clacso e coordenador-geral do Laboratório de Políticas Públicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).

“Eis aí, finalmente, o grande desafio: ouvir atenta e respeitosamente a voz daqueles que lutam. O livro que Fayad nos oferece é uma chave preciosa para aqueles que se dispõem a exercer o dom da escuta.”

José Arbex Jr. – Jornalista e escritor. Doutor em História pela Universidadede São Paulo (USP), professor de jornalismo na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

“O livro de Yasser Jamil Fayad vai fortalecer esse sonho e essa esperança de unidade palestina contra o colonialismo israelense. Vamos ler, divulgar, celebrar mais esta bela publicação.”

Marcelo Buzetto – Coordenador da Campanha Global pelo Retorno a Palestina – Brasil. Membro do Setor de Relações Internacionais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

“Amálgama de luta e beleza: somos todos palestinos é publicada num momento crucial da luta palestina. (…) Mais do que nunca são necessárias obras como esta.”

Soraya Misleh – Coordena a Frente em Defesa do Povo Palestino e integra a campanha BDS Brasil.

SEMEANDO A LUTA DE LIBERTAÇÃO – É a caixa que traz as duas obras


Hebron – A cidade impossível (Ahmad Jaradat)

Hebron – A cidade impossível

Texto abaixo de Bruno Beaklini

A edição brasileira do livro “Hebron, a cidade impossível” (Florianópolis, editora Fedayin com apoio do Ibraspal e da Frente Palestina Livre, janeiro de 2021) nos oferece uma visão ímpar da luta de libertação do povo palestino. Em suas 159 páginas, incluindo os anexos, a obra de Ahmad Jaradat (1961-) autor nascido e formado na Palestina ocupada possibilita a percepção, mesmo que à distância, do que é viver sob a ocupação sionista. Como é sentir-se oprimido e visto como “estrangeiro” em sua própria terra.

A versão em língua portuguesa começa com o poema do médico e poeta árabe-palestino-brasileiro Yasser Jamil Fayad, “Querem Sinceramente”.  No verso homenageando a vila de Al Khalil (a denominação de Hebron antes da invasão sionista, nome da localidade bem anterior ao Mandato Britânico), o brimo diz:

Querem arrancar-me do peito o amor que tenho pela minha Hebron. Não por mim… dizem!”. Porque e por quem então? O livro segue com a introdução assinada pelo médico e poeta citado, pelo agrônomo Jamil Abdalla Fayad e o comerciante palestino radicado em Santa Catarina, Khader Othman. Nesta parte temos a trajetória histórica da luta do povo palestino, da causa e do movimento nacional árabe, e da presença centenária do invasor europeu. A contribuição dada pelo livro para a luta de libertação está nas práticas descritas como:

O livro que apresentamos hoje ao público brasileiro descreve formas de lutas não violentas entre elas a chamada ‘luta conjunta’, que congrega palestinos de diferentes organizações da sociedade civil e judeus antissionistas em ações de não violência num experimento específico em Hebron”.

O livro propriamente dito traz prefácio, mapa da cidade sitiada e os seguintes capítulos: O cerco ao centro da cidade; Políticas de Israel; Violação dos Direitos Humanos; A caminho de Hebron sob o jugo sionista; Hebron sob as trevas sionistas; Resistência popular e luta e a Conclusão. Pleno de imagens, fotos e ilustrações históricas, a obra nos faz ao mesmo tempo refletir e nos indignar. A indignação aparece quando somos postos no meio da divisão arbitrária e a segregação do espaço urbano:

A divisão interna e a fragmentação da cidade criaram um ambiente no qual as distâncias entre as áreas da cidade aumentam exponencialmente para os palestinos. Isso interrompeu o ritmo da cidade. Os laços entre vizinhos e familiares foram e são desfeitos sistematicamente”. Desde 2017 tem um município de colonos (um eufemismo para invasores civis armados e apoiados por um exército também invasor que é financiado pelos EUA) na área chamada pelo inimigo como H2. Para garantir o cotidiano de invasores racistas, o exército sionista transforma o dia a dia dos moradores originários em um inferno.

Cerca de 200 alunos estudam na Escola Córdoba, situada à rua al-Shuhada, perto da colônia sionista de Biet Hassadah. Os alunos devem passar pelos postos de controles (checkpoints) 56 e 55 para acessar à escola. Os  soldados ficam perto da entrada o tempo todo.  Interrogam e assediam os alunos. Às vezes, esses soldados israelenses invadem a escola. Os estudantes vivem em constante ameaça de colonos e soldados. O diretor da Escola Córdoba, Nora Nassar, acrescenta que os colonos frequentemente atacam os alunos jogando pedras e água suja na escola”.

A reflexão vem junto com mais compromisso. “A normalização é uma ferramenta política, cultural e econômica usada para ignorar as raízes e razões históricas do conflito e lidar com os resultados do mesmo como algo naturalizado. Significa fornecer à ocupação uma cobertura legal, cultural e ética, enquanto negligencia as dimensões éticas, politicas e culturais dos palestinos que lutam contra a ocupação”.

O texto original conclui apontando as falhas e fracassos após os Acordos de Oslo – “acordos” os quais o inimigo não cumpriu – e a necessidade de uma ampla coalizão para assegurar a luta contra a ocupação e a libertação da Palestina.

A edição brasileira ainda traz dois aportes. O primeiro está na contra capa, quando o professor Emir Sader afirma que “A Palestina é uma nação na busca do seu espaço, dos seus direitos, em que se vive todo dia em risco, mas também na luta pela dignidade”.

O segundo aporte está na mais que justa homenagem ao escritor, professor, jornalista e combatente da esquerda palestina, Ghassan Kanafani (Acre, 1936- Beirute, 1972), tornado  mártir ao ser assassinado por agentes do Mossad – inteligência externa do sionismo – operando na capital do Líbano. Além da biografia desta referência intelectual, estética e política oriunda da esquerda palestina e do pan-arabismo, somos brindados com o conto A Esposa. Magistral obra que se passa em junho de 1948, quando o invasor decide expulsar as famílias palestinas (a Nakba) contando à  época com o apoio de duas superpotências para esta limpeza étnica. As palavras de Kanafani nos levam diretamente à resistência camponesa contra fascistas financiados por banqueiros de diversas origens. No extremo da tragédia humana, a dignidade não cessa. Todo palestino apto a lutar deve ter seu fuzil, e onde estava a arma do novato fedayi no meio da guerra?

Andou dia e noite através do que restava da Galiléia, procurando seu fuzil por onde passava, perguntando a todos os combatentes que encontrava pelo caminho. Era como se escavasse os rostos e as coisas em busca do fuzil que havia guardado por apenas algumas horas e com o qual nunca havia apontado para coisa alguma”.

A melancolia de perder sua arma sem entrar em combate não cessa o conto. Ao contrário.

Os quarenta combatentes voltaram à sua aldeia queimada, conseguiram libertá-la e perseguiram os soldados inimigos até a encruzilhada de Damon. Dez deles morreram durante a caçada”. Mas um mártir, uma mártir, shaheeds não morrem, se eternizam.

Tal como a prosa de Ghassan Kanafani, a poesia de Yasser Fayad e a obra de Ahmad Jaradat, Al Khalil, Hebron, e toda a Palestina não se rendem e nem desaparecem.


Ghassan Kanafani: Anticolonialismo e alternativa socialista na Palestina

Texto abaixo de Rita Freire

“Este livro será um clássico para nós entendermos a causa Palestina” – previu  João Pedro Stédile, dirigente do Movimento Sem Terra (MST), sobre a obra que está sendo agora lançada e que traz, em poesia, história, arte e reflexões sobre Ghassan Kanafani, multiplas luzes para conhecer o poeta palestino.

Ghassan Kanafani – Anticolonialismo e alternativa socialista na Palestina, organizado por Yasser Jamil Fayad, e publicado pela Editora Fedayin, com apoio do MEMO, reúne escritos do – e sobre o – jovem palestino assassinado há 50 anos pela agência de espionagem de Israel, o Mossad, porque sua arte ameaçava mais a ocupação do que as armas violentas que ele não precisava usar.

Ele morreu aos 36 anos, em um atentado em Beirute, no Líbano. Mas deixou uma obra indispensável para se compreender o sentimento e a história de luta do povo palestino que não desiste de defender o retorno e a defesa de sua terra. A Palestina brilha e chora em seus contos, e resiste na memória dos laranjais que ficam para trás, quando o menino palestino é arrancado pela Nakba – a instalação violenta do Estado de Israel – mas deixa em meio às ruínas do massacre e expulsões sionistas as suas raízes vivas até hoje.

Kanafani vai sendo aos poucos mais conhecido e admirado no Brasil e seus contos, romances e ensaios uma referência da literatura de resistência para as esquerdas. São dele obras como Homens ao Sol (Rijal fi-a-shams)Tudo o que resta para você (Ma Tabaqqah Lakum) ou o ensaio Literatura de Resistência Palestina sob Ocupação. Mas sua figura já é uma velha companheira do movimento que luta pela terra, o MST, desde que em 2011 este  teve contato com a vida e obra do palestino, decidindo dar seu  nome à Brigada Internacionalista Ghassan Kanafani. O que liga as duas histórias é a resistência revolucionária que os camponeses do Brasil descobriram no artista e militante – e que Stédile homenageia ao recomendar a leitura.

O livro organizado por Yasser Jamil Fayad traz justamente a conexão entre as esquerdas brasileiras e palestinas, através das facetas de um jovem jornalista, militante, dramaturgo, pintor, escultor, escritor, intelectual que explica ter chegado à política por ser um romancista da vida palestina e não o contrário. Nele, a arte é sua própria militância. Ou o caminho que o transformou em dirigente da Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP).

Dividido em duas partes, a obra traz na primeira uma série de textos em português e árabe escritos especialmente para o projeto, com autores da Palestina e do Brasil. Traz tanto intelectuais e dirigentes partidários das forças de resistência palestinas, como do atual editor-che da revista Al Hadaf, fundada por Kanafani – que explica o impacto cultural que teve a publicação em seus primeiros anos.  Do Brasil, escrevem dirigentes nacionais dos partidos de esquerda, além do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), ao lado de apoiadores da publicação, intelectuais e outros textos literários.

A segunda parte traz contribuições biográficas, com relatos, depoimentos próximos,  cartas  e escritos do próprio Kanafani, tanto de cunho político como literário. Em um deles, ao fazer uma análise marxista da Revolta de 1936, Ghassan leva o leitor à Palestina anterior à Nakba e, conforme o livro explica,  “expõe  o movimento das classes sociais palestinas, assim como as articulações com forças externas, desnudando os atores, sujeitos, instrumentais e objetivos”.

Além dos textos de reflexões e históricos, o livro reúne cartazes, fotos e poesias de Kanafani, permitindo diferentes passeios pela mesma obra. Neles, é possível compreender o olhar do poeta e político que se orienta pelo compromisso com as lutas das gerações que virão, como as de hoje, por libertação, cinquenta anos após sua morte. Sua poesia é auto-explicativa: “Condiciono os caminhos do presente ao futuro desejado. Sobretudo sou escritor da profecia”.

Ghassan Kanafani é uma voz histórica no mundo palestino. Ele conecta a luta dos palestinos com todas as dos dominados no mundo e mais, vincula, indissoluvelmente, a luta pela independência da Palestina a uma alternativa anticapitalista, socialista. Esta obra faz justiça à necessidade de difundir suas ideais absolutamente indispensável para todos nós.” – Emir Sader

Tive a honra de escrever sobre Ghassan Kanafani e aconselho os leitores a voltarem aos seus romances e textos, nos quais se manifesta a extraordinária genialidade de um ser humano cuja causa carregava em seus próprios olhos. Após seu assassinato, Golda Meir disse: ‘Um batalhão armado foi liquidado’. Os inimigos teme o pensamento, a palavra, assim como a arma. Somos guiados pela esperança, e eles pelo medo e ódio.” – Leila Khaled


Local de vendas: www.humanasebolivraria.com.br

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