tradução por Dauli Baja
4 de fevereiro de 2026
Gaza não será um cenário de tutela estrangeira… e as funções do Comitê Administrativo são “transitórias” para barrar conspirações externas
- A Frente Popular estabelece “linhas vermelhas nacionais” obrigatórias para a administração de Gaza: não à reconstrução condicionada, não à interferência nos currículos educacionais e não ao comprometimento da soberania.
- A Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP) renova suas reservas quanto ao papel do chamado “Conselho Mundial da Paz”, reafirmando sua posição firme anunciada na reunião das facções em 15/01/2025, quando alertou para as tentativas desse conselho de impor tutela sobre os palestinos e retirar-lhes o direito à autodeterminação.
- Hoje, diante das tentativas desse conselho de conduzir o trabalho do “Comitê Nacional para a Administração de Gaza” como instrumento para implementar as condições da ocupação, a Frente exige vigilância total do comitê e que este não se alinhe às propostas e aos objetivos maliciosos do “Conselho da Paz”, que buscam esvaziar o conteúdo de suas funções e transformá-lo em uma ferramenta executiva de projetos externos suspeitos.
A Frente enfatiza que sua concordância com o objetivo de formação desse comitê decorreu da convicção de que se trata de um órgão exclusivamente palestino, cujas decisões e tarefas têm origem e finalidade palestinas, e que uma de suas principais razões de criação é cessar a guerra de extermínio e frustrar os planos de deslocamento forçado. - Assim, a Frente afirma que as funções do comitê administrativo são um assunto interno palestino, limitadas à gestão dos assuntos da Faixa de Gaza e à condução dos dossiês de ajuda humanitária e reconstrução de forma transitória e necessária, garantindo a resistência do nosso povo e bloqueando qualquer tentativa de tutela estrangeira suspeita, até a formação de um governo de consenso nacional abrangente que assuma suas responsabilidades em Gaza e na Cisjordânia ocupada, preservando a unidade do território e da causa, e impedindo qualquer tentativa de separar os caminhos políticos ou consolidar a divisão.
A Frente considera as movimentações do “Conselho da Paz” uma extensão direta da lógica colonial que entregou a Palestina aos invasores desde a Declaração Balfour, e uma tentativa de substituir o direito internacional pela lei da força, em detrimento dos direitos dos povos e da justiça humana.
Com base nisso, a Frente ressalta um conjunto de princípios nacionais inegociáveis que o Comitê Nacional deve respeitar como pilares fundamentais, considerados linhas vermelhas obrigatórias, rejeitando qualquer concessão nesse sentido:
A reconstrução é um direito legítimo e adquirido do nosso povo, devendo ocorrer sem condições. Rejeitamos categoricamente vinculá-la a concessões políticas ou a projetos de segurança que sirvam à agressão.
Os currículos educacionais e a identidade nacional palestina são uma “linha vermelha”; não permitiremos qualquer interferência estrangeira ou norte-americana que vise distorcer a consciência ou apagar a identidade sob pretextos de “desenvolvimento” ou “paz”.
Rejeitamos a substituição das instituições nacionais ou dos organismos internacionais regidos pelo direito internacional por qualquer entidade internacional, incluindo o “Conselho da Paz”. Qualquer cooperação nesse contexto constitui uma ruptura flagrante com o consenso nacional.
Gaza permanecerá parte inseparável do corpo político palestino unificado, e qualquer tentativa de transformar sua administração em porta de entrada para uma tutela abrangente será derrotada pela vontade firme do nosso povo.
A Frente Popular, ao evocar os sacrifícios do nosso povo e alertar para os perigos em curso, reafirma que um povo que resistiu ao genocídio e aos projetos de liquidação não será enganado por essas conspirações, e continuará sua luta até conquistar plenamente seus direitos.
- Frente Popular para a Libertação da Palestina
Departamento Central de Imprensa
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