• Nome completo: Ghassan Fayez Kanafani;
• Nome do pai: Fayez Kanafani;
• Nome da mãe: Aisha Al Salem;
• Nome dos irmãos: Ghazi, Marwan, Adnan, Numan e Hassan; e duas irmãs: Fayzah e Suha;
• Local de nascimento: Akka (Acre) / Palestina;
• Data de nascimento: 9 de abril de 1936;
• Data do martírio: 8 de julho de 1972 / Beirute – Líbano;
• Esposa: Anni Kanafani (Anni Hover) – casados em 1961. Ela permaneceu em Beirute após seu martírio e criou a Fundação Cultural Ghassan Kanafani.
• Filhos: Fayez (nascido em 24 de agosto de 1962) e Laila (nascida em 12 de outubro de 1966).
• Nacionalidade: Palestina.
• Profissão: Escritor, dramaturgo, jornalista e político palestino.
• Organizações políticas que integrou: Movimento Nacionalista Árabe (MNA) – adesão em 1954 e Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP) – adesão em 1969.
• Prêmios recebidos: Ganhou o prêmio “Friends of Books in Lebanon” de melhor romance, em 1966, por “O que resta para você”. Recebeu, postumamente, o Prêmio da Organização Mundial da Imprensa, em 1974. Em 1975, recebeu o Prêmio Lotus, concedido pela União de Escritores da Ásia e da África. Premiado com a Ordem de Jerusalém para Cultura e Artes, em 1990.
BREVE NOTA BIOGRÁFICA DE GHASSAN KANAFANI
Ghassan Kanafani nasceu na cidade de Akka, em uma família de classe média, em 9 de abril de 1936, ano que marcou o início de uma grande revolução, que durou três anos, contra o Mandato Imperialista Britânico e, seu pupilo, a colonização sionista. Embora fossem muçulmanos, seus pais o enviaram à Ecole des Frères, uma escola católica, em Jaffa, que lecionava em língua francesa.
Em 1948, após a proclamação do Estado de Israel, sua família teve de abandonar a Palestina, inicialmente em direção ao Líbano. De acordo com Anni Kanafani, esposa de Ghassan, a família partiu em 9 de abril de 1948, dia do massacre de Deir Yassin, em que membros de um grupo paramilitar sionista perpetraram o genocídio de 254 pessoas (idosos, mulheres e crianças, em sua maioria).
Kanafani completava 12 anos naquele dia. A amarga experiência foi relatada dez anos mais tarde, em uma mistura de fantasia e realidade, no conto “A terra das laranjas tristes”.
Depois de permanecer por breve tempo no sul do Líbano, a família Kanafani partiu para Damasco, onde o escritor, ainda jovem, começou a trabalhar. Na capital síria, a família levou uma vida difícil, em um campo de refugiados, onde seu pai abriu um pequeno escritório de advocacia. As poucas economias levadas de Akka logo se esgotaram. Ghassan e seu irmão Ghazi realizaram vários trabalhos informais, para continuarem os estudos e ajudarem o pai a sustentar uma família com sete filhos. Aos 16 anos, Kanafani concluiu o curso secundário e começou a trabalhar como professor nas escolas das Agências das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA – sigla em inglês). Lecionou na Escola Aliança, da mesma UNRWA, por três anos e matriculou-se na Faculdade de Letras da Universidade de Damasco.
A carreira docente de Kanafani deixou marcas profundas em sua personalidade, estilo de trabalho e aspirações políticas. Como um de apenas dois professores em uma escola de 1.200 alunos (o outro era uma professora, Samia Haddad, futura esposa de Wadie Haddad, da Frente Popular de Libertação da Palestina), ficou sobrecarregado pelo volume de trabalho e pelos problemas que seus alunos enfrentavam no dia a dia – relacionados a vestuário, comida, abrigo e doenças, além das dificuldades acadêmicas e das privações culturais e emocionais. As imagens e as impressões que acumulou, durante esse período, aparecem claramente em sua obra.
Em 1954, Kanafani aderiu ao Movimento Nacionalista Árabe, grupo que recrutava, principalmente, adeptos nos meios intelectuais e defendiam mudanças nas sociedades árabes. Posteriormente, o MNA se tornou o núcleo das organizações de resistência palestinas. A revista semanária “A opinião”, órgão oficial do MNA, dirigido por Hani al Hindi e George Habash, tornou-se a primeira tribuna literária de Kanafani, que escreveu 18 textos em um ano e meio. Dentre eles destaca-se a coluna “O ser humano e os princípios”, na qual criticava duramente os políticos árabes. Sua conscientização política é permanentemente marcada pela divisão de classes. De um lado, encontram-se os camponeses, que cultivam a terra palestina, que Kanafani retrata com desvelo; do outro, os latifundiários, “parasitas”, donos tanto dos camponeses quanto do campo, na opinião do escritor.
Em 1955, foi expulso da Universidade de Damasco, acusado de participar de atividades políticas. Mais tarde, ele se formou na universidade e sua tese foi intitulada “Raça e Religião na Literatura Sionista”. No mesmo ano, aceitou uma proposta para lecionar na Cidade do Kuwait (capital kuwaitiana), onde permaneceu por cinco anos a partir de 1956.
Nesse país, descobriu que tinha diabetes. Necessitava de um tratamento permanente e acreditava que não viveria muito tempo. À época, a ideia da morte tornou-se uma obsessão – agravada pela solidão e frustração com a situação da Palestina.
No Kuwait, reencontrou sua irmã Fayzeh e seu irmão Ghazi. Graças aos três salários, a família Kanafani, que permanecera em Damasco, deixou de passar necessidades. Em 1960, Habash o convenceu a deixar o Kuwait, ir para Beirute e dedicar-se à carreira de jornalista. Um ano mais tarde, casou-se com Anni Hover, professora cujo pai havia desempenhado um papel importante na resistência dinamarquesa contra os nazistas. Em 1963, tornou-se editor-chefe do “O libertador”, o principal jornal nasserista fora do Egito. Escreveu uma coluna semanal intitulada “O que está por detrás das notícias” e editou o suplemento semanal “Palestina”, dirigido aos palestinos que viviam no exílio. Pouco a pouco, tornou-se um dos mais renomados jornalistas de Beirute. Como consequência, obteve o passaporte libanês, o que pôs fim à sua situação de clandestinidade por não ter documentos oficiais.
Em 1965 e 1966, visitou a China. A principal figura política dessa época, no mundo árabe, era Gamal Abd-Nasser. Kanafani não escondia sua admiração pelo líder egípcio e defendeu, em seus escritos, uma amálgama de nasserismo (essencialmente, pan-arabismo), socialismo e luta política. O ano de 1967 foi decisivo para ele e para outros intelectuais árabes. Uma das consequências imediatas da vitória israelense naquele ano foi sua mudança de emprego. “O Libertador” dependia de financiamento egípcio, e o pequeno salário era insuficiente para manter a família.
Kanafani vinculou-se ao “As luzes”, outro jornal de Beirute, de tendência nasserista, até 1969, quando se tornou editor chefe de “O objetivo”, jornal semanal que expressava a opinião da Frente Popular de Libertação da Palestina. (FPLP). Pouco depois, Kanafani tornou-se o porta-voz oficial da FPLP até seu assassinato, em 8 de julho de 1972, em um atentado. Uma bomba foi colocada por terroristas oficiais de Israel debaixo de seu carro, estacionado diante de um edifício em um bairro de Beirute próximo à estrada para Damasco. Ao ligar o motor, Kanafani recebeu o impacto e morreu. A outra vítima foi uma sobrinha de 17 anos que o acompanhava.

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